| 20-06-2008 Regiao de Leiria |
| Voluntariado |
| Conheça as histórias de leirienses solidários |
| Apaixonada por viagens, gosto que acredita ter herdado do seu avô paterno, Joana Oliveira, natural de Leiria, a viver em Londres desde 2001, iniciou em Novembro passado uma viagem pela América do Sul em bicicleta. O objectivo é percorrer vários países, em busca do contacto com novas culturas e populações. Entre perder o passaporte assim que chegou ao Equador, pedalar sobre um sol intenso, acampar com vista para o vulcão Cotopaxi, também conhecido como o vulcão de cone perfeito, e ser mordida por um escorpião, Joana descreve as suas aventuras e desventuras no portal A vida em movimento (www.constant-movements.com). Numa das muitas paragens que realizou pelo Peru, em Março, surgiu a possibilidade de realizar trabalho de voluntariado na Casa Hogar Los Gorriones, um orfanato em Ayacucho. A colaboração prevista para uma semana prolongou-se por um mês, em que auxiliou profissionais peruanas a cuidar de 25 crianças abandonadas ou com deficiências cerebrais. Na memória guarda o dia em que chegou ao orfanato, quando contactou pela primeira vez com Noemi, uma criança com quem estabeleceu amizade. Descreve-a com “olhos grandes, castanhos, cabelo negro, sorriso largo e mãos de carinho”. “Para mim aquela criança doce com quem passei horas a fazer os trabalhos de casa e a brincar, era apenas um ser inocente, com o futuro em aberto e com um passado que eu esperava fechar-se”, conta. Ao fim de um mêse embora lhe pesasse o facto de o orfanato necessitar de muito mais ajuda, Joana partiu em direcção à Bolívia, passando por Cusco e Machu Picchu. A leiriense prevê ficar mais cinco meses na América do Sul. No entanto, avisa que “tudo muda e nada tem mudado mais” do que os seus planos de viagem, podendo esta estadia prolongar-se por mais algum tempo. |
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Leiriense pedala por terras da América do Sul
Em viagem há cinco meses, Joana Oliveira é uma leiriense que actualmente reside em Inglaterra, de onde partiu rumo à América do Sul, com o objectivo de percorrer vários países de bicicleta, em busca de novas culturas e contacto com a população local.
A vontade de viajar e experienciar novas culturas motivou a leiriense Joana Oliveira a partir rumo à América do Sul em bicicleta.
Confrontada com as escassas oportunidades de trabalho em Portugal, Joana Oliveira, de 29 anos, natural de Leiria - cidade onde cresceu e tirou o curso de Turismo da Escola Superior de Educação -, reside actualmente em Inglaterra, país que deixou "por tempo indeterminado" para viver o seu sonho: "percorrer o mundo e sentir na primeira pessoa as suas realidades".
"A minha viagem é motivada pelo desejo e a felicidade que sinto quando viajo", contou ao nosso jornal, enquanto atravessa a Bolívia, onde deverá percorrer as margens do Tticaca, o lago mais alto do mundo, a 3.900 metros de altitude.
Um desafio, pelo seu companheiro de viagem, Nuno, levou Joana Oliveira a adoptar a bicicleta como meio de transporte. Apesar das dificuldades sentidas, esta leiriense encarou o desafio como a oportunidade de ultrapassar as percepções que tem de si própria e "provar que não existem impossíveis".
"Pedalar nas montanhas Andinas foi o maior desafio físico e psicológico da minha vida, mas para quem deseja sentir o mundo o mais próximo possível, a bicicleta permite precisamente essa sensação", explicou, sublinhando que "todo o sofrimento físico é compensado, não só pelas vistas fabulosas que aguardam no cimo de cada montanha, mas também pela generosidade daqueles que vou encontrando pelo caminho".
Noutra perspectiva, salientou, "estar fora do trilho turístico e fazer uma viagem mais alternativa, com mais aventura e interacção" com a população local faz igualmente esquecer as dificuldades que começam a surgir depois de muitos quilómetros a pedalar. Há cinco meses a pedalar pela América do Sul, esta leiriense já percorreu 2.300 quilómetros, tendo visitado o Equador e o Peru.
Joana Oliveira pretende continuar a viagem por mais cinco meses, com o objectivo de atravessar o Chile, Argentina e Brasil. Porém, o seu verdadeiro objectivo não tem destino ou meta de chegada. "Vou vivendo à medida que as coisas vão acontecendo e orientando a minha rota em função das circunstâncias", referiu, adiantando ter poupado dinheiro durante cerca de um ano para a viagem, a par da ajuda da família.
Trabalho voluntário
com crianças no Peru
O trabalho voluntário num orfanato no Peru é a melhor experiência que Joana Oliveira guarda da sua viagem.
Durante um mês, trabalhou com crianças, na sua maioria portadoras de deficiência, naquele que é o "único orfanato na região que recebe crianças especiais". "Recebi mais dessas crianças do que possivelmente tenha dado", salientou.
Joana Oliveira recordou ao Diário de Leiria a véspera de Natal, passada no cimo de um monte, onde um homem a ameaçou e ao seu companheiro que queimaria a tenda, temendo que ali estivessem para o roubar.
Contou ainda o episódio em que, no norte do Peru, foi picada por um escorpião escondido nas malas. "Não vivi para o susto", disse, recordando também uma "subida interminável" de mais de 40 quilómetros, com "inclinações brutais e curva atrás de curva".
Helena Amaro
http://www.diarioleiria.pt/18094.htm